Archive for the ‘mercurial’ category

Controle de versão distribuído é diferente, mas nem tanto

April 19th, 2010

Não há dúvidas de que o controle de versão distribuído (Distributed Version Control System – DVCS) veio não só pra ficar, mas também para tomar o lugar das ferramentas de controle de versão centralizado. As etapas têm sido as mesmas de quando apareceu o Subversion com a proposta de substituir o CVS: 1. desconfiança, 2. curiosidade, 3. interesse, 4. aceitação.

Quem está tendo o primeiro contato com o DVCS geralmente cai na fase 1 (desconfiança). Não conhece como funciona e, por isso, desconfia. Afinal, se funciona do jeito que está (mesmo que não muito bem), pra que mudar?

O pessoal da fase 2 (curiosidade) já leu algo a respeito e está intrigado com as vantagens que “dizem” que o DVCS tem. Mas ainda falta um empurrãozinho para pelo menos tentar experimentar um DVCS pra ver como é.

O objetivo deste artigo é apresentar um experimento simples e rápido mostrando que o modo de trabalho de um DVCS, especificamente o Mercurial, não muda tanto assim do usado no Subversion. Espera-se com isso, levar o leitor mais perto da fase 3: interesse.

O experimento simulará dois usuários trabalhando no mesmo projeto, executando algumas operações bem comuns e básicas de controle de versão através do Mercurial, comparando sempre com o mesmo passo feito pelo Subversion.

Para aproveitar melhor o experimento, é necessário:

  1. saber os conceitos básicos do controle de versão distribuído;
  2. instalar o Mercurial ou o TortoiseHg na sua máquina;
  3. já ter usado o Subversion e ter ele ou o TortoiseSvn instalado na máquina;

Observação: O experimento será apresentado com operações pela linha de comando por questão de espaço e comodidade. O experimento pode ser feito também através das interfaces gráficas TortoiseHg e TortoiseSVN, que possuem os mesmos comandos usados no roteiro.

1. Preparando os Repositórios

Quando se sabe que no DVCS cada desenvolvedor tem um repositório e que um repositório pode se conectar com qualquer outro, logo se imagina que o modelo distribuído é uma anarquia. Na verdade, qualquer desenvolvimento sem regras vira uma bagunça. No modelo distribuído, os repositórios podem ser arranjados em várias topologias e a topologia cliente-servidor é uma delas.

Vamos criar 3 repositórios: um oficial, um para um user 1, e outro para o user 2, sendo esses dois últimos para simular os dois desenvolvedores. A convenção estabelece que não haverá comunicação direta entre o repositório dos desenvolvedores 1 e 2. Apenas através do repositório oficial, exatamente como acontece no modelo centralizado.

O acesso ao repositório oficial, tanto do Mercurial, quanto do Subversion, será feito por acesso local para manter o roteiro simples. No exemplo, será usado o diretório /tmp (que é o diretório temporário do linux) para manter todos os repositórios. Escolha um diretório que melhor lhe convier.

Mercurial Subversion
hg init /tmp/oficial svnadmin create /tmp/oficial
hg clone /tmp/oficial /tmp/user1
hg clone /tmp/oficial /tmp/user2
svn checkout file:///tmp/oficial /tmp/user1
svn checkout file:///tmp/oficial /tmp/user2

2. Publicação Inicial

O próximo passo é fazer uma primeira publicação no repositório. Use um arquivo chamado numeros.txt que deverá ser criado no diretório do repositório/cópia de trabalho com o seguinte conteúdo:

um
dois
três
Mercurial Subversion
user1 hg add numeros.txt svn add numeros.txt
hg status svn status
hg commit -m “primeiro commit” -u user1 svn commit -m “primeiro commit” –username user1
hg push

O Mercurial teve um passo adicional para enviar ao repositório oficial o que foi feito no repositório local.

3. Vendo o histórico do projeto?

Mercurial Subversion
user1 # é necessário atualizar a cópia de trabalho antes para ficar na última revisão
svn update
hg log

changeset: 0:aa3f592139e5
tag: tip
user: user1
date: Sun Apr 18 15:31:40 2010 -0300
summary: primeiro commit

svn log

—————————————————————
r1 | user1 | 2010-04-18 15:30:13 -0300 (Dom, 18 Abr 2010) | 1 line
primeiro commit
—————————————————————

Note que o Mercurial também fornece uma numeração sequencial além da identificação da revisão por hash. Esta numeração é válida apenas para o repositório local e foi criada por comodidade, para facilitar a referência a uma revisão em comandos locais, ao invés de se usar o identificador hash.

4. Atualização do Repositório do Usuário 2

O usuário 2 está com seu repositório desatualizado em relação ao repositório oficial. A sincronização se dá pelo comando hg pull -u que já atualiza a área de trabalho acoplada com a última revisão.

Mercurial Subversion
user2 hg pull -u svn update

5. Edição Concorrente

Usuários 1 e 2 executarão mudanças concorrentes no mesmo arquivo. user 1 acrescentará a palavra “zero” na primeira linha enquanto usuário 2 acrescentará “quatro” na última linha. Como as mudanças acontecerão em partes diferentes do mesmo arquivo, a mesclagem ocorrerá sem conflitos.

Mercurial Subversion
user1 # edita números.txt # edita números.txt
hg diff svn diff
hg commit -m “zero” -u user1 svn commit -m “zero” –username user1
hg push
user2 # edita números.txt # edita números.txt
hg diff svn diff
hg commit -m “quatro” -u user2 svn commit -m “quatro” –username user2
# falha 1. Veja obs.
hg push
# falha 2. Veja obs.
hg pull
hg merge
svn update
hg commit -m “merge” -u user1 svn commit -m “quatro” –username user2
hg push

Descrição das falhas nas operações:

  1. O arquivo numeros.txt está desatualizado em relação à última revisão do repositório. É necessário atualizar/mesclar para que seja aceito.
  2. Por padrão, a operação de push não permite que um ramo fique com mais de uma ponta, isto é, tenha bifurcações após a combinação dos grafos de revisões. Qualquer linha individual de desenvolvimento deve ser antes unificada localmente com a linha presente no repositório-oficial antes de ser enviada.

6. Visualização do Grafo de Revisões

O histórico de revisões do DVCS é um grafo acíclico direcionado (Directed Acyclic Graph – DAG). Na interface gráfica, é possível ver os caminhos sendo bifurcados e reunificados. Pela linha de comando, é necessário antes habilitar o plugin do Mercurial que conseguir ver o grafo textualmente.

Edite o arquivo de configuração do repositório do usuário 2, cujo caminho é /tmp/user2/.hg/hgrc e adicione as seguintes linhas ao final

[extensions]
hgext.graphlog =
Mercurial Subversion
user2 hg glog svn log
@ changeset: 3:3eddeb3252ea
|\ tag: tip
| | parent: 1:f01fe74e7279
| | parent: 2:c3664eb01670
| | user: user2
| | date: Sun Apr 18 22:06:03 2010 -0300
| | summary: merge
| |
| o changeset: 2:c3664eb01670
| | parent: 0:b353a0bdea31
| | user: user2
| | date: Sun Apr 18 22:05:21 2010 -0300
| | summary: quatro
| |
o | changeset: 1:f01fe74e7279
|/ user: user1
| date: Sun Apr 18 22:05:43 2010 -0300
| summary: zero
|
o changeset: 0:b353a0bdea31
user: user1
date: Sun Apr 18 22:04:40 2010 -0300
summary: primeiro commit

O grafo apresentado mostra que as revisões produzidas pelos usuários 1 e 2 formaram linhas independentes de desenvolvimento que depois foram reunificadas.

Conclusões

Usando o Mercurial na topologia cliente-servidor, com um repositório oficial equivalente ao repositório central do Subversion, nota-se que não há nenhuma grande mudança na forma do trabalho, nem nos comandos, que são idênticos para a maioria das operações. A impressão que se tem é de que o Mercurial é um Subversion com pushpull.

À primeira vista, parece que o Mercurial precisa de mais comandos para fazer a mesma coisa que se faz no Subversion. A razão disso, e que só é mostrado quando se vê o grafo de revisões, é que cada desenvolvedor trabalha em uma linha independente, equivalente a um ramo privativo, no qual pode publicar suas revisões sem a obrigatoriedade de mesclar com outra revisão a cada etapa, que é o que acontece no Subversion. O resultado é um fluxo de trabalho ainda melhor que no modelo centralizado.

No Mercurial, e em DVCS em geral, todo desenvolvedor trabalha naturalmente em um ramo privativo. O mesmo resultado poderia ser obtido no Subversion definindo-se ramos privativos para cada desenvolvedor a cada tarefa, bug etc. a ser implementado. Quem já usou ou tentou usar uma solução assim no Subversion, sabe quanto é trabalhoso e complicado fazer isso.

Lançada a versão 1.5 do Mercurial e a versão 1.0 do TortoiseHg

March 12th, 2010

Mercurial continua evoluindo em ritmo firme e constante. Chega agora a versão 1.5 com diversas melhorias no núcleo, extensões, interface web, Windows e documentação. A lista completa está disponível neste link mas aí vão alguns destaques:

  • Melhoria no comportamento do comando heads para ramos nomeados.
  • Nova opção -b/--branch para definir um ramo específico para os comandos clone, bundle, incoming, outgoing, pull e push.
  • Suporte a certificados de servidor SSL e melhoria no suporte a IPv6
  • subrepos agora com suporte básico ao Subversion. Subrepos é uma área do Mercurial que tem evoluído bastante. O objetivo é tratar um repositório e seus subrepositórios como um grupo, tal como é feito no Subversion com o svn:externals.
  • Suporte a plugins de autorização.
  • Adição de script WSGI para IIS isapi-wsgi

A atualização de versão é recomendada a todos os usuários.

Para quem usa Linux e linha de comando, a melhor forma de instalar continua sendo o easy_install, ao invés dos pacotes da distribuição Linux. Note que o Mercurial precisa compilar umas partes escritas em C e por isso precisa do pacote python-dev. A seguir os comandos necessários para instalar o Mercurial no Ubuntu:

sudo apt-get install python-setuptools python-dev
sudo easy_install Mercurial

Para quem usa Windows, a melhor opção é instalar pelo TortoiseHg, que já instala o Mercurial automaticamente.

TortoiseHg 1.0

O TortoiseHg também está com versão nova: versão 1.0. O pacote de instalação pode ser obtido a partir deste link.

O TortoiseHg também funciona no Linux, e ajuda bastante em algumas operações tais como visualização de diferenças e do histórico de log, que são ruins de ver pela linha de comando só usando o hg diff ou hg log por exemplo. A não ser que você use o  Gnome/Nautilus, com o qual se integra, a ativação do TortoiseHg no Linux é ser feita pela linha de comando usando o comando hgtk e seus subcomandos.

A instalação do TortoiseHg no Linux pode ser feita pelos pacotes da distribuição ou pelo easy_install:

sudo easy_install http://bitbucket.org/tortoisehg/targz/downloads/tortoisehg-1.0.tar.gz

Plugin do Mercurial para usar um servidor Git

August 18th, 2009

Um dos fatores do sucesso do Git é, sem dúvida alguma o GitHub: design elegante e funcional, gráficos interessantes etc.. Suponha que você deseje participar do GitHub ou mesmo usar algum projeto armazenado lá, só resta a opção de usar o Git, certo?

Não mais! Com o plugin do Mercurial Hg-Git seus problemas acabaram: você pode continuar usando o Mercurial mesmo que o repositório oficial do projeto esteja em Git! Do próprio site:

Este é o Hg-Git plugin para Mercurial, que adiciona a habilidade de push e pull de um repositório Git para um repositório Hg. Isto significa que pode-se colaborar em projetos baseados em Git a partir do Hg, ou usar um servidor Git como um ponto de colaboração de um time de desenvolvedores usando tanto o Git quanto o Hg.

O plugin foi desenvolvido pelo próprio pessoal do GitHub com o claro e justo intuito de aumentar o público-alvo dos seus serviços, mas amplia bastante as possibilidades de trabalho dos desenvolvedores e projetos que, tal como nós da Pronus, escolheram o Mercurial como DVCS.

Lançada a versão 1.3.1 do Mercurial e a versão 0.8.1 do TortoiseHg

July 24th, 2009

Nem faz tanto tempo que saiu a versão 1.3 e já lançaram a versão 1.3.1 do Mercurial. Esta versão chega com várias pequenas correções sobre a versão anterior. Entre elas, destacam-se:

  • consertado o uso excessivo de memória para operações de diff e strip
  • resolvido o problema de lentidão no cálculo de heads de ramos
  • resolvido o problema de lentidão na extensão fetch
  • update –check agora mostra vários ramos
  • Vários pequenas alterações na documentação e outros pequenos defeitos corrigidos

A lista completa de alterações está disponível neste link.

A atualização de versão é recomendada a todos os usuários. Para quem usa Linux e linha de comando, a melhor forma é usar o easy_install

sudo easy_install -U Mercurial

TortoiseHg 0.8.1

Para quem usa o TortoiseHg, saiu a versão 0.8.1 que já vem com a versão 1.3.1 do Mercurial. Sendo assim, basta instalar essa nova versão no Windows e pronto.

Há várias outras correções nessa versão. A lista completa está aqui. Uma das mudanças é a inclusão do livro do Mercurial em formato PDF no pacote.

Acaba de sair a versão 1.3 do Mercurial

July 3rd, 2009

Foi lançada a nova versão 1.3 do Mercurial. Chega com várias novidades, das quais destaco:

  1. Sub-repositórios (ainda em fase experimental) – Veja subseção abaixo
  2. Python 2.3 não é mais suportado. É necessário usar a versão entre a 2.4 e a 2.6
  3. Tradução para Português-Brasileiro
  4. merge: adicionada opção de preview -P/ –preview. Sempre bom saber qual o resultado vai dar antes de se comprometer com ele.
  5. update: adicionada opção -c/–check  para abortar atualização em caso de modificações locais pendentes.
  6. Extensão alias incorporada ao núcleo
  7. Extensão share (experimental)

Subrepositórios no Mercurial

A nova funcionalidade de subrepositórios segue a linha da propriedade svn:externals do Subversion. A idéia é permitir o uso de um repositório dentro de outro (fica sendo um subdiretório) e tratar todos como um só grupo.

As possibilidades são interessantes: é possível montar um projeto combinando partes formadas por projetos independentes.

Ao invés de propriedades, o mercurial usa um arquivo chamado .hgsub para registrar os subrepositórios. Só lembrando que arquivos que começam com ‘.’ são ocultos no Linux.

A criação e o registro dos subrepositórios ainda precisam ser feitos manualmente nesta versão que ainda é experimental. Entretanto, já estão previstas melhorias nesse sentido e também em manter subrepositórios não nativos, isto é, de outros sistemas tais como Subversion ou Git.

Extensão Alias

Alias era uma extensão à parte, mas agora é distribuída junto com o Mercurial. Mesmo assim, precisa ser habilitada no arquivo .hgrc do usuário para funcionar.

Permite a criação de “apelidos” para conjuntos de comandos e parâmetros usados com frequência. Por exemplo:

[extensions]
alias =

[alias]
llog = log --limit 10

A configuração acima cria um “novo” comando llog equivalente à execução do comando log --limit 10.

Extensão Share

Esta extensão permite criar — localmente — áreas de trabalho independentes que compartilham fisicamente o mesmo repositório (diretório store do .hg). A vantagem é que todos os commits feitos aparecem automaticamente no histórico dos repositórios compartilhados sem a necessidade de comandos de push ou pull.

É útil para a criação de uma área de trabalho para um ramo, por exemplo,  e não desperdiça espaço com um armazenamento do repositório interno.

Instalação da Versão 1.3

No Linux, é mais vantajoso usar o easy_install para obter a versão mais recente (easy_install -U Mercurial). A outra opção seria usar os pacotes da distribuição, mas essa alternativa costuma ser mais desatualizada.

No Windows, é possível utilizar o Mercurial 1.3, inclusive através da linha de comando, instalado diretamente o TortoiseHg 0.8. Interessante ressaltar que o TotoiseHg também funciona em plataformas não-Windows. Veja a página do TortoiseHg para mais informações.

Novo Curso de Gerência de Configuração com Trac e Mercurial

June 19th, 2009

Estão abertas as inscrições para o novo curso de Gerência de Configuração de Software com Trac e Mercurial. A grande novidade é o uso do Mercurial para o controle de versão distribuído.

Sobre o Mercurial

Mercurial é uma das mais populares ferramentas da nova geração de controle de versão distribuído. É usada por diversos projetos grandes tais como o OpenJDK (Java), NetBeans, Google Code, Python etc.

Possui um conjunto de comandos parecidos com o Subversion, o que facilita o seu aprendizado. Além disso, traz os diversos benefícios do modelo distribuído de controle de versão, tais como independência, rapidez e produtividade.

Sobre o Curso

O curso tem duração de 16 horas e, apesar de apresentar conceitos teóricos, é voltado para a parte prática de Gerência de Configuração, com diversos exemplos e exercícios de fixação do uso conjunto do Trac e do Mercurial para atender às necessidades do dia a dia do desenvolvimento de software e destaque aos novos fluxos de trabalho do modelo distribuído de controle de versão.

O curso também cobre a instalação e configuração do servidor do Trac e de um repositório “oficial” do Mercurial, tratando inclusive de alguns procedimentos de autorização, backup e restauração.

O programa completo está disponível na página do curso.

A próxima turma está marcada para os dias 17 e 18 de agosto em São Paulo.

Faça já sua inscrição e aproveite a promoção de lançamento até o dia 17 de julho (15% de desconto)!

Suporte ao Mercurial para Projetos Hospedados no Google Code

May 6th, 2009

Além do Subversion, a partir do dia 24/04/2009, o Google passou a oferecer o Mercurial como controle de versão para projetos hospedados no Google Code. Abaixo, há uma figura mostrando um exemplo de visualização do histórico de um projeto que usa o Mercurial já no Google Code.

A análise comparativa entre o Mercurial e o Git considerou as duas alternativas bastante equilibradas. A escolha pelo Mercurial se baseou em dois fatores:

  1. Os comandos e terminologia do Mercurial é mais próxima do Subversion, tornando mais fácil a migração da grande base de usuários que já usa o Subversion nos projetos do Google Code para o Mercurial;
  2. Mercurial apresentou desempenho e adequação melhores aos serviços baseados em HTTP que a infraestrutura do Google Code já oferece.